As operadoras de planos de saúde no Brasil registraram um crescimento expressivo em 2024, alcançando um lucro líquido de R$ 11,1 bilhões, um salto de 271% em relação ao ano anterior. O balanço foi divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e representa o melhor desempenho do setor desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 impactou significativamente a saúde suplementar.
Fatores que Impulsionaram o Crescimento
De acordo com a ANS, um dos principais responsáveis pelo aumento dos lucros foi a rentabilidade das aplicações financeiras das operadoras médico-hospitalares, que totalizaram R$ 120 bilhões no final de 2024, gerando um retorno de R$ 8,5 bilhões. Além disso, houve um saldo positivo de R$ 4 bilhões entre receitas e despesas operacionais relacionadas à assistência à saúde, recuperando o patamar observado antes da pandemia.
Essa recuperação foi verificada em praticamente todas as modalidades do setor, com exceção das autogestões, segundo informou a agência reguladora.
O Impacto da Recuperação Financeira
Nos últimos anos, as operadoras justificaram sucessivos aumentos nos preços dos planos de saúde alegando dificuldades financeiras. No entanto, os números de 2024 indicam um cenário de reequilíbrio econômico no setor.
“A recuperação do resultado operacional das operadoras e a estabilidade dos rendimentos financeiros indicam um ambiente mais sustentável para a saúde suplementar”, afirmou Jorge Aquino, diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS.
Um indicador relevante para esse desempenho foi a redução da sinistralidade, que representa o percentual das mensalidades utilizado para cobrir despesas assistenciais. No último trimestre de 2024, o índice caiu para 82,2%, o menor nível desde 2018.
Operadoras de Grande Porte Lideram Lucros
A maior parte do lucro registrado veio das operadoras médico-hospitalares de grande porte, que somaram R$ 9,2 bilhões em 2024. Esse crescimento foi atribuído a estratégias de gestão mais eficientes, conforme destacado pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). A entidade afirmou que a estabilidade financeira das operadoras cria um ambiente mais seguro para os beneficiários.
A diretora-executiva da FenaSaúde, Vera Valente, ressaltou os desafios enfrentados pelo setor durante a pandemia e mencionou o impacto das novas regulamentações, incluindo a obrigatoriedade de cobrir tratamentos que vão além da lista de procedimentos obrigatórios da ANS.
Hospitais Privados Cobram Pagamentos
A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) também se manifestou sobre os resultados positivos das operadoras, destacando que uma parte do lucro vem da retenção de pagamentos aos hospitais.
“O setor hospitalar tem enfrentado desafios significativos devido a padrões ultrapassados de remuneração. Com os lucros crescentes das operadoras, esperamos que melhorias também alcancem os hospitais”, declarou a entidade.
O Futuro da Saúde Suplementar
O expressivo crescimento do setor em 2024 levanta debates sobre a necessidade de equilíbrio entre os lucros das operadoras e a qualidade do atendimento aos beneficiários. Com preços dos planos de saúde em alta, especialistas e entidades defendem maior transparência na relação entre prestadores de serviços e operadoras.
O desempenho do setor nos próximos anos dependerá de fatores como regulação governamental, avanços na gestão de custos e negociações entre operadoras e hospitais. O impacto dessa recuperação financeira nos preços e na qualidade dos planos será um tema central para consumidores e empresas que buscam planos de saúde empresarial.
Fonte: Estadão