A Unimed Nacional, que retoma sua identidade anterior como Central Nacional Unimed (CNU), está passando por uma reestruturação significativa. Sob nova administração, a cooperativa médica está revisando contratos com hospitais, clínicas, laboratórios, fornecedores e as 300 cooperativas locais, além de estabelecer critérios mais rigorosos para a assunção de carteiras de unidades deficitárias.
Revisão de Contratos e Nova Diretriz para Unimeds Regionais
A reestruturação ocorre após um aporte de R$ 1 bilhão, financiado pelas cooperativas locais, para equilibrar as contas da CNU, que desde 2022 enfrenta prejuízos operacionais. Em 2024, enquanto o setor apresentou sinais de recuperação, a CNU encerrou o ano com uma receita de R$ 8,4 bilhões e um prejuízo operacional de R$ 552 milhões.

O novo presidente, Luiz Otávio Fernandes de Andrade, enfatiza que a revisão dos contratos será feita de forma individualizada, buscando soluções customizadas para evitar reajustes indiscriminados. “Nem sempre o aumento de valores é a melhor alternativa. Em alguns casos, identificar e tratar separadamente as fontes de maior custo pode evitar um impacto negativo generalizado”, afirma Andrade.
Quanto à incorporação de novas carteiras de cooperativas deficitárias, a diretriz é clara: a CNU só assumirá essas unidades se houver capital suficiente para cobrir os riscos. Entre as cooperativas já incorporadas estão Unimed São Paulo, Unimed Brasília, Unimed Manaus, Unimed São Luís, Unimed Salvador e outras unidades na Bahia.
Impacto para as Cooperativas Locais
O novo modelo reforça que cada cooperativa médica local é responsável por sua gestão financeira. As Unimeds regionais são acionistas da CNU e, em casos de prejuízo, podem ser chamadas a realizar novos aportes financeiros, como ocorreu com o recente investimento de R$ 1 bilhão.
A Unimed-Rio, por exemplo, cuja carteira foi assumida pela Federação Unimed do Rio de Janeiro, enfrenta dificuldades de pagamento. Apesar do impasse, Andrade acredita que a situação será resolvida. Vale destacar que a Central Nacional Unimed não é mais corresponsável pela carteira da Unimed-Rio.
Mudanças nas Negociações e Atendimento
A CNU possui quase 2 milhões de clientes em todo o Brasil. Em grande parte das regiões, o atendimento é realizado por meio da rede de cooperativas locais, para as quais a CNU repassa cerca de R$ 5 bilhões anuais. No entanto, nos casos das Unimeds incorporadas (São Paulo, Brasília, Manaus, São Luís e cidades da Bahia), a CNU negocia diretamente com os hospitais.
Questionado sobre a sustentabilidade do modelo de cooperativas, Andrade reconhece os desafios, mas destaca a presença nacional do Sistema Unimed como um diferencial competitivo. Ele cita como exemplo a Federação de Minas, que adotou um modelo de resseguro para proteger cooperativas menores contra riscos financeiros.
Perspectivas para o Futuro da Unimed Nacional
Com a nova gestão e estratégia de reestruturação, a Unimed Nacional busca equilibrar suas finanças, garantir maior previsibilidade nos custos e manter sua ampla presença no setor de saúde suplementar. O foco está em tornar o sistema mais eficiente, evitando riscos financeiros excessivos e reforçando a autonomia das cooperativas locais.
O desfecho dessa reformulação dependerá da capacidade da CNU em renegociar contratos, manter a sustentabilidade de suas operações e evitar novos desequilíbrios financeiros que possam comprometer o funcionamento do sistema como um todo.
Fonte: Valor Econômico